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Vivemos um momento de
incertezas geradas pela acomodação natural do mercado a um novo contexto econômico.
Mesmo assim, acredito que vivemos uma revolução que fará surgir uma nova sociedade
onde o conhecimento será seu principal recurso e os trabalhadores do conhecimento
constituirão o grupo dominante na força de trabalho. Principal ferramenta
dessa nova era, a tecnologia da informação e a Internet revolucionam a comunicação
e a maneira de fazer negócios, mas não tem, nem nunca tiveram, o poder de
virar tudo de cabeça para baixo. Quebrar paradigmas sim, subverter o conhecimento
histórico e a sabedoria do passado jamais. Como tudo que é novo, este processo
iniciou de forma intuitiva, impulsiva até, mas com o baixar da poeira da euforia,
fica a certeza de é preciso aprender a usar as facilidades que a Revolução
do Conhecimento nos propicia, sem perder de vista os fundamentos básicos de
economia e administração.
Ao traçar um paralelo com a fase inicial da Revolução Industrial, como fez
Alvin Toffler, constataremos que naquele período milhares de empresas novas
fracassaram, assim como tantas empresas atuais chamadas de puro sangue Internet.
Isso ocorreu, em ambos os casos, porque tinham modelos de negócios errados.
Todas as suas energias e todo o seu otimismo foram mal direcionados e poucos
tinham noção de como operar no ambiente emergente. As empresas tinham de reinventar
tudo. Na época, como hoje, os mercados ficaram tumultuados e muitos investidores
perderam dinheiro, enquanto o coro cantava o refrão: eu não disse? Imaginar
que a Nova Economia nunca existiu ou nasceu morta é o equivalente a acreditar,
lá no início do século XIX, que a Revolução Industrial teria acabado, porque
os fabricantes de têxteis estavam falindo em Manchester.
As baixas das empresas pontocom, provocadas pela acomodação sempre decorrente
de uma revolução, podem servir de modelo para os negócios tradicionais adequaremse
à nova realidade, aproveitando a chance de aprender com os erros cometidos.
É consenso, entre os analistas, que as empresas que estão destinadas a crescer
na próxima década são aquelas que hoje estão buscando maneiras de integrar
a tecnologia da informação e a Internet aos seus modelos de negócios. Nos
próximos anos, investimentos bem feitos nessas áreas serão a arma mais poderosa
no aprimoramento da performance de qualquer companhia.
Nos novos negócios, surgidos com a era digital, a concorrência não vem apenas
dos concorrentes vem de todos os cantos. Quando a informação se torna digital
e interligada em rede, como vemos hoje, não há mais limites e nenhum negócio
é isolado dos demais. Na antiga economia, o fluxo de informações era físico:
dinheiro, cheques, faturas, conhecimento de carga, relatórios, reuniões face
a face, chamadas por telefones analógicos ou transmissões por rádio e televisão,
plantas, mapas, fotografias, partituras e propagandas via mala direta.
Na nova economia, a informação em todas as suas formas tornou-se digital
reduzida a bits armazenados em computadores e correndo na velocidade da luz
por redes, criando um novo mundo de possibilidades que é tão significativo
quando a invenção da própria linguagem - o antigo paradigma em que ocorriam
todas as interações físicas.
Na era da inteligência em rede, silício, microprocessadores e estradas de
fibra, tão finas quanto um fio de cabelo, estão possibilitando que seres humanos
de todo o planeta apliquem seu know-how a cada aspecto da produção e da vida
econômica. Esta é uma era de interligação em rede não apenas da tecnologia,
mas também de seres humanos, organizações e sociedades.
A inovação, mais do que o acesso a recursos, instalações e capital, é o que
mais conta. Os clientes mudaram e hoje pensam que as empresas têm de proporcionar
a melhor qualidade, produtos ecológicos, rapidez, o menor preço, o melhor
serviço e assegurar a responsabilidade social para citar apenas alguns pontos.
Assim como o mundo geopolítico bipolar se desintegrou, abrindo espaço para
um ambiente novo, dinâmico, volátil e global, as barreiras econômicas também
estão caindo. Este fenômeno está relacionado à ascensão da nova economia.
Conforme afirma Peter Drucker: o conhecimento não conhece fronteiras. Não
existe conhecimento doméstico, nem conhecimento internacional. Com o conhecimento
tornando-se o recurso-chave, existe uma nova forma de fazer negócios em âmbito
mundial e isso leva, necessariamente, à reformulação da estrutura organizacional
dos negócios.
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