* Rosane Severo,
Publicitária, pós-graduada em marketing e especializada em
webmarketing. Possui mais de 12 anos de experiência na coordenação e direção
de produção de projetos audiovisuais (filmes e vídeos) no Rio Grande do Sul
e Rio de Janeiro. Participou da criação, planejamento e atuou também na coordenação
do desenvolvimento de diversos projetos de marketing direto nas áreas de:
negócios, moda, cultura, esporte, saúde, educação e desenvolvimento comunitário.
Hoje, além dos artigos que escreve para a grande rede, atua também como consultora
de Marketing Estratégico, Analista de Negócios, Editora de Conteúdo e Coordenadora
de Projetos Internet. www.rgsevero.com.br
- rosane@rgsevero.com.br
Publicado em: 14/10/2001
Você
lembra de como o mundo ia mudar? Sensores inteligentes em seu refrigerador avisariam
que a data de validade do leite tinha expirado e somariam mais um litro na sua
lista de compras eletrônica. Numa perfeita cadeia sincronizada, a lista seria
enviada para uma WebVan que traria mantimentos até sua porta. A WebVan nunca
existiu e nossos refrigeradores ainda não dispõem de nenhum sensor.
O não cumprimento dessas previsões gerou dois tipos de reação. A turma do "eu
não disse?" que vê nisso mais um argumento para apoiar sua convicção na fraqueza
absoluta da Internet. Esse grupo, na verdade, nunca acreditou, nem por um segundo
sequer, numa nova era, numa revolução chamada nova economia e no poder transformador
de um mundo completamente conectado.
A outra reação vem da turma que chamarei de avestruz, que fica com a cabeça
enfiada na terra, ou seria nas nuvens e que justifica a ausência da WebVan e
o sucesso dos projetos pontocom, apontando a má administração no topo, alegando
que os executivos destruíram uma grande idéia com a sua atordoante incompetência.
Esse grupo acredita que a Internet já conquistou o mundo e que a distração do
colapso de serviços on-line ou a inexistência da WebVan nubla o sucesso claro
e inequívoco da grande rede.
Eu, pessoalmente, acredito num terceiro ponto de vista tipo: nós ainda não sabemos
onde e como a Internet afetará nossas vidas, mas certamente ocorrerão mudanças
profundas. A televisão teve um efeito profundo em todos nós e a Internet tem
o potencial da televisão multiplicado por cem. Apenas que, nesse momento, nós
ainda não temos certeza sobre qual dessas potencialidades fará com que a Internet
crie raízes e cresça.
Nessa corrida podemos afirmar, no entanto, que já existem dois vencedores. Ambos
afetam muito mais a maneira de fazer negócios do que aos consumidores propriamente
dito. Um é o e-mail e o outro é o comércio eletrônico business-to-business.
Pode-se até afirmar que o e-mail também conectou a família e amigos de uma maneira
absolutamente nova, mas o e-mail não é igual ao telefone, em sua habilidade
para permitir uma comunicação mais calorosa entre as pessoas, no seu universo
íntimo.
Já para o mundo dos negócios, o e-mail eliminou a máquina de escrever completamente.
Correspondência empresarial, propostas, fotocópias de documentos, enfim todas
essas comunicações empresariais padrões viajam agora através da Internet. Isso
possibilita uma economia de custos considerável tanto para o remetente quanto
para quem recebe. É isso aí! Pode me incluir no grupo que acredita que o e-mail
é a mais eficiente aplicação da ferramenta web.
A outra pratica fenomenal da Internet é o comércio eletrônico business-to-business.
Esta pode parecer uma declaração estranha, se analisarmos um cenário de quebradeira
das empresas pontocom e de situação difícil em todas as empresas de tecnologia
no mundo. Hoje, a simples menção da palavra e-marketplace pode provocar inúmeros
sorrisos de deboche. Companhias que eram consideradas gigantes há poucos meses
atrás, que seriam a próxima geração de GMs e GEs, estão hoje mergulhando no
mesmo poço em que repousa adormecida a idéia da WebVan. Minha crença nessa terceira
via de opção sobre os destinos da Internet é baseada em algo muito grande que
está acontecendo principalmente dentro das grandes empresas mundiais e de forma
bastante silenciosa.
Há dez anos atrás as grandes companhias destinavam aproximadamente 10% de seus
investimentos para a tecnologia da informação - que hoje é virtualmente sinônimo
de tecnologia via Internet. Esse ano, os gastos com TI já representam mais de
50% dos investimentos dessas mesmas companhias. Numa época em que as corporações
estão demitindo pessoas e cortando gastos em todas as áreas, uma pesquisa do
Gartner Group nos EUA revelou recentemente que 53% das 1000 empresas que fazem
parte do ranking da Revista Fortune aumentaram seus investimentos em TI em mais
de 20% esse ano.
Por que essas companhias aumentam seus gastos em tecnologia de Internet, quando
esses dólares poderiam ser gastos para reter os empregados ou ser repassados
para os acionistas para sustentar os preços das ações? A resposta é simples:
os dólares gastos em tecnologia de Internet trazem um retorno muito rápido sobre
o investimento.
Grandes corporações estão gastando milhões para criarem redes de comunicação
com seus fornecedores e clientes. A Cisco Systems declarou recentemente um gasto
de $300 milhões construindo sua rede. E essas mesmas companhias estão retornando
seus investimentos através de eficientes racionalizações de custos. Quem ainda
ousaria afirmar que a Internet é um embuste?
Você deve estar se perguntando: por que as fantásticas empresas pontocom estão
fazendo água enquanto outras companhias estão gastando tanto em tecnologia?
E a resposta é simples, porque os dólares destinados a investimentos em tecnologia
vão agora para as grandes companhias como Oracle, Microsoft e IBM, companhias
que se tornaram gigantes no e-comércio.
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