* Rosane Severo,
Publicitária, pós-graduada em marketing e especializada em
webmarketing. Possui mais de 12 anos de experiência na coordenação e direção
de produção de projetos audiovisuais (filmes e vídeos) no Rio Grande do Sul
e Rio de Janeiro. Participou da criação, planejamento e atuou também na coordenação
do desenvolvimento de diversos projetos de marketing direto nas áreas de:
negócios, moda, cultura, esporte, saúde, educação e desenvolvimento comunitário.
Hoje, além dos artigos que escreve para a grande rede, atua também como consultora
de Marketing Estratégico, Analista de Negócios, Editora de Conteúdo e Coordenadora
de Projetos Internet. www.rgsevero.com.br
- rosane@rgsevero.com.br
Publicado em: 30/09/2001
Num
passado bem recente, as decisões empresariais eram tomadas, muitas vezes, com
base na intuição, mas isso está mudando graças às novas tecnologias que permitem
a obtenção de dados consistentes. Hoje, o desafio está em obter esses números
e saber quando e como considera-los.
Por muitas razões que são óbvias, e algumas nem tanto, números são o melhor
amigo de um homem de negócios. Eles são, em primeiro lugar, a medida do sucesso:
Nada que um executivo faz é mais importante do que alcançar alguns números.
Eles são, crescentemente, uma ferramenta crítica para quase todo tipo de análise
e planejamento. O uso e a avaliação adequados dos números relativos a volume
de compras e ao comportamento dos consumidores podem ser a base da estratégia
de um negócio. Os números fornecem critérios para decisões objetivas.
A revolução da tecnologia no universo dos negócios está, sob vários aspectos,
baseada no triunfo dos números. Os computadores colocaram as ferramentas de
análise quantitativa nas mãos de executivos e as novas tecnologias estenderam
essas ferramentas às mãos de qualquer gerente de linha que utilize um PC. A
Internet permite a coleta de todos os tipos de números, pois a habilidade para
coletar e analisar quantias enormes de dados sobre comportamento dos consumidores
e sobre todo o processo empresarial é, sob diversos aspectos, a essência da
Grande Rede.
É fácil esquecer o quanto tudo isso é novo e que existe hoje uma radical diferença
em relação a tempos passados, mas não muito antigos. Durante grande parte da
história dos negócios, as decisões eram tomadas com base em julgamentos individuais
qualitativos, ancoradas em dados muito genéricos para sustenta-las. Há bem pouco
tempo, os varejistas decidiam seus estoques com base no instinto de seus compradores,
sobre o que seria moda naquele ano e não, com base em dados sólidos de comportamento
dos consumidores. Pesquisas eram realizadas a partir de dados decorrentes de
entrevistas com alguns vizinhos e clientes. Os números eram para os contadores.
A revolução dos números contribuiu enormemente para uma produtividade ascendente
e para o crescimento econômico, mas os números podem representar perigo também.
Eles criam, muitas vezes, uma falsa sensação de certeza e objetividade e podem
se tornar um substituto barato para conhecimento, experiência e julgamento.
Consideremos o próspero campo das pesquisas de mercado, onde estimativas numéricas
sobre o tamanho dos mercados e sobre perspectivas de crescimento no futuro são
hoje a estrutura de quase a maioria dos planos empresariais. Diversas empresas
sentem-se à vontade para fornecer projeções detalhadas do que serão as vendas
de, digamos, computadores de mão em 2004. Esses números chegam ao requinte de
serem apresentados com detalhamento decimal, gerando assim uma sensação de precisão
cirúrgica. No entanto, tais previsões são freqüentemente resultantes de algumas
suposições e a precisão declarada é completamente espúria. O que ocorre na verdade
é que o comprador da pesquisa não percebe isso necessariamente, porque sua meta
não é realmente entender quantos computadores de mão serão vendidos, mas sim
obter uma forma de persuadir seu chefe ou investidor de que: independente de
qual seja o número exato, ele será grande.
Existem "mentiras, enganos e estatísticas", pois como já se dizia antigamente:
muitos números não são o que parecem. O desafio dos gestores da era dos dados
fica, portanto, dobrado. Hoje, é necessário efetuar sofisticadas coletas e análises
de dados em todo o processo empresarial e, ao mesmo tempo, saber quando ignorar
os números e agir com a intuição. A verdadeira visão empresarial está na coragem
para desafiar a análise quantitativa no momento exatamente certo.
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