* Rosane Severo,
Publicitária, pós-graduada em marketing e especializada em
webmarketing. Possui mais de 12 anos de experiência na coordenação e direção
de produção de projetos audiovisuais (filmes e vídeos) no Rio Grande do Sul
e Rio de Janeiro. Participou da criação, planejamento e atuou também na coordenação
do desenvolvimento de diversos projetos de marketing direto nas áreas de:
negócios, moda, cultura, esporte, saúde, educação e desenvolvimento comunitário.
Hoje, além dos artigos que escreve para a grande rede, atua também como consultora
de Marketing Estratégico, Analista de Negócios, Editora de Conteúdo e Coordenadora
de Projetos Internet. www.rgsevero.com.br
- rosane@rgsevero.com.br
Publicado em: 02/09/2001
Por
que então clientes e empresas ainda os utilizam?
Já são dez anos de utilização do conceito de marketing de fidelidade e muitas
empresas se questionam se os consumidores não estão cansados de tantos cartões
de fidelidade nas suas carteiras. Esse, definitivamente, não é um questionamento
banal, considerando que cada vez mais as indústrias, inclusive atacadistas,
varejistas e linhas aéreas estão lançando um programa de fidelidade de algum
tipo. E parecem existir boas razões para isso. De acordo com estudo realizado
em conjunto pela Princeton, Total Research Corp.e Carlson Marketing Group, para
monitorar a lealdade do consumidor norte-americano, constatou-se que o gasto
dos consultados aumenta em 46%, quando eles efetuam suas compras em empresas
que oferecem programas de fidelidade.
Voltando a questão do volume, da perspectiva do consumidor, pode ser problemático
ter a carteira inchada sem que isso reflita maior potencialidade de gasto. Já
para um negócio dentro de um mercado competitivo, um programa de fidelidade
é um meio para chegar a um fim.
Um programa bem-projetado deve ser feito para atrair e reter os melhores clientes:
aqueles que valorizam as recompensas que recebem por confiar na sua marca e
que, portanto, merecem seu esforço extra de marketing, para mantê-los como clientes.
E, como todos já sabemos que custa seis vezes mais caro conquistar do que reter
um cliente, aqueles consumidores que optarem por não ocupar suas carteiras com
o cartão de fidelidade da empresa, fazem parte, muito provavelmente, dos 70%
da base de clientes dessa empresa que gastam menos e que, por conseqüência,
podem justificar investimentos menores.
Além disso, a pesquisa sobre a lealdade do consumidor norte-americano demonstrou
que um grande número de consultados considera que as vantagens de um programa
de fidelidade, baseado no uso de cartão, excedem em valor, as conotações negativas
associadas ao pejorativo "mais um cartão para encher a carteira".
Faz parte da conclusão do referido estudo que as empresas nos Estados Unidos,
onde os programas de fidelidade utilizam cartões com tarja magnética - chamados
smart-cards, geram enorme valor agregado à base de seus clientes. Por isso,
empresas que oferecem programas de fidelidade precisam estar atentas a essa
tecnologia, que pode até ser útil na questão do volume que falavamos antes,
mas é muito mais importante porque permite colecionar dados do cliente, reconhecer
o cliente no ponto de venda - no ato da compra e, através de um sistema especial,
implementar ações de marketing eletrônico em tempo-real. Essas ações podem,
tendo os totais de pontos do cliente atualizados imediatamente, gerar um cupom
baseado em uma variedade de regras que o cliente tenha pré-determinado. É possível
também realizar sorteios relâmpagos, que irão somar excitação, ao privilégio
de ser um sócio de um programa de fidelidade que utiliza essa tecnologia.
O conceito do smart-card surgiu como uma alternativa para os convencionais cartões
dos programas de fidelidade. Os argumentos para a utilização de um único cartão
que contenha: identificação pessoal, informações médicas, programas de lealdades
e atue como um veículo de pagamento, definitivamente são legítimos e desejáveis.
Mas esta pode ser uma distante realidade, pois ainda existem muitos desafios
a vencer. Fica difícil prever quando acabará o enorme volume de cartões em nossas
carteiras. Porém, com a crescente literatura relativa aos benefícios de reconhecer
e gerar ações de marketing junto aos clientes no ponto-de-venda e dados que
demonstram as vantagens em implantar um programa de fidelidade, muitas empresas
acabarão tomando a decisão mais lógica, para acabar com o problema do volume
de cartões em nossas carteiras. Ou seria a decisão mais inteligente?
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